Fotografia: Lucas Damiani e Sara Coelho. Reciclagem, BFOTO emergente

Tem sintomático

ANTONIO LACHÓS

Talvez ele não tenha descoberto, mas houve uma pandemia. Uma pandemia ocorre quando as pessoas não saem de casa sem ter uma ressaca. A ressaca vem depois de alguma coisa, não antes de nada, como agora. Já não explico o que é agora, porque me faz parecer santo Agostinho e é sempre melhor acreditar do que saber. Saibam, saibam ... os cunhados e os locutores, valem a dispensa, que sem vocês eles não são nada. Não suba: é público, não amor. Os cunhados, eu falei. Amo, ai amor, com as canções que carregamos ...

E agora que todos sabiam o que ia acontecer, vamos confessar que o lema é de antes, do dia em que vimos que o desenvolvedor havia expirado. E é que a vida era séria. Ok, algo assim só pode ocorrer com pessoas analógicas. Para esclarecer, os dominós e os carteiros e a amazona digital e os cargos políticos são analógicos. O mundo analógico é aquele mundo de antes, quando as crianças brincavam nas ruas, havia popeyes Lemon e John Wayne usavam chapéu. Um site muito antigo. Já Tolstoi disse que a maior surpresa na vida de um homem é a velhice, embora o digital nem cheire, enquanto os analógicos jibarizam sua ideia de eternidade ao verificar que se aproximam cada vez mais ...

Enquanto isso, bares e telas estão cheios de especialistas em vírus - que já foram treinadores de futebol - um avanço para vendedores de máscaras e empresas de telecomunicações. Nesse contexto, é urgente priorizar o que é importante e o que não é, faltaria mais. O que você quer é importante, da cebola na omelete de batata ao seu inesquecível Assunto com Marlon Brando. A cultura é secundária e / ou dispensável, pois nem chove nem ficamos confinados, por isso a fotografia, filha tardia e eternamente questionada daquela, pode tornar-se tão estranha como abrir uma porta com o cotovelo. Apesar de tudo, há sintomas. Minorias enormes. Pessoas que acreditam que interesses culturais existem, apesar das circunstâncias. Que nunca se apaixonaram porque sempre foram garçons, que reverenciam a cadeira de Glenn Gould ou que simplesmente foram picados por um inseto. Para eles é este festival de fotografia de verão anômalo, onde o físico prevalecerá sobre o virtual e procuraremos fazer o habitual, como nunca antes. Esta edição anterior vai ser um pouco estranha: em agosto, mais curta e grande parte ao ar livre à noite. Vamos ver se nos vemos, se o pixel também sai.

Foto: Pilara Vicien. Coletivo Afib - Bfoto

#EsteVirusLoParamosUnidos

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